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« A BOSSA É NOVA - INSTRUMENTAL »

O músico Chico Batera, filho desse importantíssimo movimento da música brasileira que consagrou a Bossa Nova, hoje reverenciada pelos mais expressivos músicos do jazz internacional, resolve, justamente, prestar sua homenagem aos 50 anos do estilo que ajudou a criar com sua batida precisa e swingada.

Com o seu Chico Batera Trio, formado pelos músicos Kiko Continentino no piano, Luiz Alves no baixo acústico e o próprio Chico na bateria e vibrafone, apresentam um repertório que vai desde os clássicos de Jobim como "Chega de Saudades", "Água de Beber", aos afro-sambas de Baden, passando por João Donato, Marcos Valle e Chico Buarque.

A idéia se baseia na forma de tocar instrumental, exatamente como no Beco das Garrafas, onde se apresentavam o Bossa 3, Tamba Trio, Sérgio Mendes, Dom Salvador, Zimbo Trio e outros.

***

1º - "O LP "Canção do Amor Demais", marco da revolução do samba moderno e primeiro da bossa-nova, lançado em 1958, chega às lojas refeito em CD. A obra reúne treze canções de Vinicius de Moraes e Tom Jobim, com arranjos deste último casados com a voz de Elizete Cardoso e o violão de João Gilberto. Sua métrica original (que, de acordo com João Máximo, o folclore e outras fontes, se deveu à dificuldade de seguir as partituras), permitiu ao cantor e instrumentista baiano inaugurar ali a levada conhecida depois como bossa-nova." Samba e Choro 1998.

2º - "Oficialmente a bossa nova começou num dia de agosto de 1958 quando chegou nas lojas de discos brasileiras o 78 rotações de número 14.360 do selo Odeon do cantor João Gilberto com as músicas Chega de Saudade (Tom Jobim e Vinicius de Moraes) e Bim Bom (do próprio cantor). Unanimemente reconhecido como papa do estilo, João tinha acompanhado ao violão um pouco antes a cantora Elizeth Cardoso em duas faixas do também inaugural Canção do Amor Demais (LP exclusivamente dedicado às canções da iniciante dupla Tom & Vinicius) com a célebre batida, sincopada no tempo fraco pelos bateristas". Tarik de Souza.

Se foi o "Canção do Amor Demais" ou o "Chega de Saudades" não importa. A Bossa Nova está fazendo cinqüenta anos sem perder a qualidade e o charme.
 
Durante esse meio século, a Bossa Nova que surgiu na cidade do Rio de Janeiro no final dos anos 50, vem ganhando adeptos desde o início dos anos 60 com as reuniões na casa da cantora Nara Leão e no lendário Beco das Garrafas (Ali, nas boates Bottle's, Bacarat e Little Club).

"A cada noite novos talentos brotavam no Beco, foi quando a dupla Miéle e Bôscoli resolveu dar um pouco mais de brilho a festa e começaram a produzir pocket-shows, com direito a roteiros e iluminação. Um exemplo da ousadia dos produtores foi durante um show de Lennie Dale (coreógrafo e cantor norte-americano, diretor de vários espetáculos do Beco), onde resolveram montar um número para a canção "O Pato", famosa na gravação com João Gilberto. No intervalo dos versos ("O pato, vinha cantando alegremente) Lennie abria uma bandeja, de onde saia um pato que ficava encarregado do "Quem, Quem".

Grandes nomes da Bossa instrumental se apresentaram no Beco, como: Luis Carlos Vinhas, Dom Salvador e Tenório Jr, Raul de Souza, J.T. Meireles, Paulo Moura, Maurício Einhorn, Rildo Hora, Durval Ferreira, Tião Neto, Manuel Gusmão, Bebeto Castilho, Dom Um Romão, Edson Machado, Airto Moreira, Wilson das Neves, Sérgio Mendes, Luiz Éça, Cipó, Baden Powell, Chico Batera, Vitor Manga e Hélcio Milito, entre outros músicos. Entre os cantores, têm de Sylvinha Telles e Marisa Gata Mansa, Dóris Monteiro, Claudette Soares, Leny Andrade, Flora Purin, Nara Leão, Johnny Alf, Sérgio Ricardo, Silvio César, Agostinho dos Santos, Jorge Bem, Wilson Simonal, pery Ribeiro e Elis Regina". Fernanda Nagaoka.

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