Nascido em 1943 em Madureira, no Rio de Janeiro, filho de uma pianista, Chico Batera teve seu primeiro contato com a percussão na Escola de Samba Império Serrano. Aos 17 anos tornou-se músico profissional, tocando nos shows de Carlos Machado e no famoso Beco das Garrafas, berço da Bossa Nova.
Com o sucesso da música brasileira no Carnegie Hall, em Nova York, Chico foi para os Estados Unidos acompanhando Sérgio Mendes em missão cultural apoiada pelo Itamaraty.
Ao fim da temporada, permaneceu no país morando numa comunidade hispânica, o que permitia o convívio com cubanos e porto-riquenhos. A riquíssima troca de informações desse período que lhe rendeu encontros com Tito Puente e Armando Perazza despertou sua paixão por rítimos latinos. Embalado pela confluência singular entre jazz, música brasileira e latina, estudou na Berklee School of Music e teve aulas particulares com Joe Porcaro, além de participar de intercâmbios culturais no Los Angeles City College.
Chico Batera se destacou pela riqueza e diversidade rítmicas e tocou com grandes maestros como Michel Legrand, Henry Mancini e Dave Grusin. Acompanhou artistas da importância de Tom Jobim, Frank Sinatra, Ella Fitzgerald e The Doors. Na década de 70 gravou com João Gilberto no México. Foi integrante da banda de Cat Stevens até que este abandonasse sua carreira.
De volta ao Brasil, ministrou cursos de percussão na Pró-arte e no Centro Musical Antônio Adolfo. Nas décadas de 70 e 80 foi o percussionista que mais gravou no país. Dentre os artistas que acompanhou estão Elis Regina, Martinho da Vila, Gal Costa, Simone, Djavan, João Bosco e Fagner. Participou também de gravações dos dois últimos álbuns de Ed Mota. Mas a versatilidade do músico não para por aí. Esteve presente em trabalhos instrumentais com Wagner Tiso, Vitor Biglione e Lee Ritenour.
Há 28 anos acompanha Chico Buarque, tendo co-produzido o álbum de 1989 que leva o nome do compositor e inclui o grande sucesso “Vai Passar”.
Reunindo toda a sua experiência, realizou o projeto “50 anos de Baile” em parceria com a Secretaria de Cultura do Município de São Paulo durante 1999 e 2000.
Mais recentemente, organizou a “Oficina de Percussão Brasileira”, ministrando não só os rudimentos da técnica e da teoria musicais, como também a prática de novas e bem sucedidas metodologias, como aquela experimentada pelo Monobloco, grupo de percussão carioca que usa o corpo e seus movimentos como referências básicas para o aprendizado da percussão.
Iniciada em 2002, esta Oficina trabalha com crianças e adolescentes (de 8 a 18 anos)
residentes na Vila do João (através da Ação Comunitária) e na Nova Holanda (através do CEASM), ambas no Complexo da Maré. Considerando as dificuldades de vida nessas comunidades, os resultados são bons e promissores. Ademais, a ocupação do tempo em atividades lúdicas e desafiadoras como aulas e apresentações públicas na comunidade e em palcos profissionais ajudam a despertar a auto-estima, tão necessária a esses futuros cidadãos.